terça-feira, 25 de abril de 2023

Expansão

Entre lençóis e cais,
navego toda imensidão
só minha.
Reviro memórias,
coleciono segundos,
Escondo estrelas
em pequenas porções
de mar.
Quero cada horizonte
que me cabe melodia.
Quero aquele sempre
que articula o vento.
Respiro o que me basta
liberdade.
E dentro de meu próprio
delírio,
encanto um destino inteiro
a entardecer outonos
nos arredores de mim.

                                                           (abril 2023)

sábado, 22 de abril de 2023

Ar livre

Tenho o azul do mar em minhas mãos..
A tudo perco breve fôlego no calcanhar
dos porões.
Flores e mais flores estão encarceradas
em meu peito.
Querem dizer algo que não sei bem dizer.
Há um grito,
qualquer grito,
arranhando o breve tempo.
E eu,
pródigo por dentro e caos,
deleito de alguns segundos
num ambíguo amanhecer.

Tenho o azul do mar em meus olhos.
E destino adentro,
de repente adormeço do que me resta
pássaro e alucinação.

                                                                  (abril 2023)

sábado, 15 de abril de 2023

Postagem rústica

enquanto eu não morrer
completamente rarefeito
em meu próprio sossego,
permanecerei entardecido
àquela fila carnuda
de um supermercado.

                                                               (abril 2023)

segunda-feira, 27 de março de 2023

Intransigência poética

O poeta fora do trilho
acolhe o caos 
dentro do peito,
acreditando que um dia,
possam oferecer-lhe agonia
como uma recompensa
medíocre.

Não há algo mais delicado
que um prato de vertigem
largado na esquina.
                                                               (março 2023)

sábado, 25 de março de 2023

Yanomami

O dono da terra,
em sua dança e reza,
germina a floresta,
como se moldasse
a chuva.

O dono da terra
clama por sua casa,
por sua vida.
Assim,
daquele leito do rio.
vigora o sopro 
de folhas e vento .

O dono da terra,
em voz esperança,
finca resistência 
a barro firme,
para que seu templo acolha,
em natureza plena,
o cantar tênue da paz.

                                                           (março 2023)














quarta-feira, 22 de março de 2023

Pescaria

Meu verso é mar revolto,
feito de visgo e blefe.
De vento rude,
me reinvento dúbio,
velando o tempo
que me basta chuva.

Meu verso brinca a areia
por castiçais de véu e lona.
Em passos breves,
maré se desfaz calma,
trovejando o verbo
que se move vulto.

Há um barco repleto 
de alguma novidade.
De longe, 
vejo esquinas que 
me beijam o rosto.
Não existe mais nenhum
acaso a nossa espera.

Minha poesia fede a peixe.

                                                 (março 2023)




terça-feira, 21 de março de 2023

Anoitecer

Cansado,
chego em casa
por volta das seis.
Carrego algo morno
para comer.
Converso com algum
vazio por dentro
da pia.
Os pés riem doloridos,
impotentes.
A cabeça martela
gritos irreversíveis.
Já é quase noite
e poucos se importam.
O que importa é aquele
copo d'água gelado
saciando minha angústia.
E depois,
enroscado na cama
em petição de miséria,
arrasto qualquer pensamento
para o semblante
de meu cansaço,
enquanto os destinos,
preguiçosamente,
dormem diante de 
suas paredes soturnas.

                                                (março 2023)


Gratidão

A minha alma encheu-se duma retina cinzenta  Isso posto à mesa  por míseros centavos. A vida vai e vem moldando espasmos infantis. Assim,  t...