sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Lado esquerdo do verso

Aquele verso pulsa no 
lado esquerdo daquela 
esquina.
Quer arrancar de alguma
alucinação um sonho.
De resto, uma canção
finge-se de novo 
entre ventania e desejo.
Aquele verso que clareira
um pouco de mim,
se acolhe nos sossegos 
imperdoáveis da alma.
Simplicidade de arder em terra
por apenas um cansaço.
As liberdades estão à espreita.
O lado esquerdo pulsa forte
em delicadas gotas
de luar soberano.

                                                                                                               (outubro 2020)

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Consolo em tempos de saudade

Tristes são os dias...
A saudade aperta.
Flores se calam.
Ternuras escondem-se.
Sua lágrima enternecida
escorre em minhas mãos,
querendo talvez solfejar
alguma prece.
Somos apenas tempo
em compasso de espera,
prontos para anoitecer
cada eterno de nós.
Os dias serão alegres.
Aquela imensa falta,
indestrutível,
estará marejada
com cada orvalho 
que se faz poema
dentro de sua lembrança.


(outubro 2020)

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Poema de boas vindas

Carrego uma pequena saudade
dentro de uma lágrima.
Apesar de regar suas mãos através
de nuvens,
observo suas horas transformar-se
em segredos.
Ofereço-te uma manhã que germina
um sol imponente.
Alvoreço algum redescobrir,
escondido entre as praças
que te arquiteta vida.
Quero sonhar infinitos.
Preciso bordar flores.
Acolho seu destino
feito cometa,
através das ruas,
que escrevem teus passos
na sincronia de todo meu
pensamento.


(setembro 2020)


segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Cantiga de felicidade

Da simplicidade que conforta
aquele abraço singelo,
respira através dos olhos,
incondicionalmente encanto,
dias que se fazem outonos
a partir de um verso.

Dessa cantiga escondida,
amanhece um sol tímido
reconfortado em cachoeira,
inquietando-se nos tributos
de um sorriso vaidoso.
Alvorada de ser felicidade.


(setembro 2020)

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Poema rabiscado dentro de um ônibus

Os destinos se esbarram nos 
destroços míticos
da Estrada do Galeão.
O balançar ignóbil de bancos 
se revigora
entre janelas e pensamentos.
Dentro de um velho ônibus,
observo atentamente 
a velocidade de minhas horas. 
Há um dilúvio de vozes que não 
me aconchega.
Em cada ponto de parada,
o frescor da pressa
apenas observa
E, como um passaredo 
em luta constante,
apego-me ao choro
de criança adornada 
por curvas mal tracejadas 
em asfalto.

Daquela sombra que se molda 
pela Estrada do Galeão,
resta a silhueta de um 
ônibus velho,
rasgando a ventania
que margeia todo meu
conturbado silêncio.

                                                 (agosto 2020)


sábado, 29 de agosto de 2020

Obscuro

como se fosse deus em templo
rosas entre barris de certezas,
não me sobra alguma festa que
me farta
em algum lugar abstrato 
a ser veleiro.

como se bastasse a mim fé
consequências inviáveis
em meus olhos,
dentro de cada dia há
aquele tempo esquecido
nos cantos empoeirados
de uma luz opaca.

espero em algum absurdo 
por mar aberto,
descanso sentenciado
no contento de minha
vertiginosa sombra.

                                                  (agosto 2020)

sábado, 22 de agosto de 2020

Recado

De línguas sórdidas
as intenções estão repletas.
Não preciso ouvir seus méritos
de boa conduta
ou histórias de mal uso
grudadas em meus ouvidos.
Preciso de alguma liberdade
aflorada em conta-gotas.
É assim que me reconstruo
pelos precipícios alheios.
Sou aquele verso desencontrado
escorrendo pelas tormentas.
Sou possível alma que mente
olhos por sobrevivência.
Não quero degustar
o que o mundo me oferta.
Sentirei apenas fagulha,
uma simples fagulha,
que me fará delírio
por esquecimento.
E esse seu orgulho intacto,
rogado entre preces fúteis,
estará engasgado nesse recado,
guardado num 
pedaço de papel
amarelado
e esquecido num destino
cozido em fogo-fátuo.

(agosto 2020)


Gratidão

A minha alma encheu-se duma retina cinzenta  Isso posto à mesa  por míseros centavos. A vida vai e vem moldando espasmos infantis. Assim,  t...