terça-feira, 24 de março de 2026

Poemazinho de quinta

O poema rasteja,
ignóbil,
pelas multidões.
E eu vislumbro,
de longe,
um precipício
entardecer
verso adentro
feito cachaça.

(março 2026)

Coeso

o que resta
não se quebra
ou se ajeita
em retalhos
do tempo.

o que move
não se testa
ou se mede
com rasgos
de segundo.

pois eu,
fragmento,
descontento,
sou delírio abjeto
de mim.

(novembro 2025)

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Na medida do possível

sou poeta de fino trato
com pompa, circunstâncias
e dores nos cotovelos. 
assim cato meus versos 
na carne mais sórdida,
na pedra mais ríspida,
na brisa mais tórrida.
entre um segundo e outro,
um segredo e outro,
devoro sonhos 
que me bastam
os dentes
as sombras
os cascos.

sou poeta de fino trato,
estampa castra,
um delírio vértice 
na medida do possível.


                                (junho 2025)  



domingo, 8 de setembro de 2024

Balada de Narciso

Do espelho mundo meu 
redemoinho a sós.
É mais belo ainda face a face
adentro.
Estranho tudo de fora em
que aguarda a seco.
Pouco seria narcisos em sol 
gratinados em silêncio.
Sou muito do mesmo,
argumento e imagem.
Sou pouco de todos,
veredas e tempo.
Basto-me coração volátil 
em seus olhos.
E inquieto sombra pelo que 
me diz cortejo.

Entre espelhos meus revogo
o mundo redemoinho.
Estilhaços de meus sonhos
afogados mar e vento 
por cantigas de mim.
                               
                                (setembro 2024)



quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Casório

O amor ainda respira
de véu, 
grinalda
e bem querer.
Talvez um céu possa dizer
de amar a amar eterno.
Ou percorra o sussurro
na mansidão das estrelas. 

O amor ainda respira,
feito flor e brisa,
para todo o sempre.

                                 (setembro 2024)

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Versinhos para Dona Alzira

Aconchego de vó
tem gosto de céu.
A risada sem medo,
os olhos tão firmes.
Cheiro de café forte
que conversa tantas lembranças.

Ah... aconchego de vó.
A falta que aquece o mar.
O mar de mãos enrugadas,
de voz embargada,
de um infinito tão breve
alvorecendo o tempo.

Aconchego de vó
tem sabor de pastel,
caldo de cana,
e um pouco de história
para ninar estrelas.

                                                            (julho 2024)

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Ao redor

Tenho um frescor em dilúvio 
nas mãos.
Por hora vento,
outras vezes pedra,
sou o que rasteja intimamente
entre as rotinas.
Nasço na sordidez dos versos.
Ando pela valentia das sombras.
Não ergo um centímetro de mim
senão destino.

Os tempos são outros
e eu também sou:
Arquiteto de meu tempo
na imensidão do nada.

                                                              (julho 2024)

Gratidão

A minha alma encheu-se duma retina cinzenta  Isso posto à mesa  por míseros centavos. A vida vai e vem moldando espasmos infantis. Assim,  t...